Biblioteca Cidade Nova recebe Ferréz em encontro com estudantes e comunidade

Escritor e poeta participou de atividade do FeCult 2026, promovendo diálogo sobre literatura, cultura periférica e protagonismo juvenil com moradores e estudantes do bairro Cidade Nova.

Biblioteca Cidade Nova recebe Ferréz em encontro com estudantes e comunidade
Foto por Adenka Luna Villanueva

FOZ DO IGUAÇU – A Biblioteca Comunitária Cidade Nova (CNI) recebeu nesta terça-feira (23) o escritor, poeta e ativista cultural Ferréz, um dos principais representantes da Literatura Marginal no Brasil. O encontro reuniu moradores da comunidade e estudantes do 2º ano do Ensino Médio do Colégio Cívico-Militar Ipê Roxo em uma manhã marcada pela literatura, música, poesia e troca de experiências.

A atividade integrou a programação oficial do Festival de Culturas da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (FeCult 2026), que neste ano tem como tema “CASA” e promove diversas ações culturais gratuitas em diferentes regiões de Foz do Iguaçu, aproximando a arte dos espaços comunitários e ampliando o acesso da população à cultura.

O encontro foi conduzido pelo professor Paulo, conhecido pela comunidade como Paulinho, que utilizou o cavaquinho para criar um ambiente acolhedor e descontraído. A música serviu como ponto de partida para reflexões sobre literatura, identidade, território e expressão cultural.

Em meio às reflexões sobre literatura e cultura, a programação também proporcionou um momento de resgate da memória cultural da comunidade. Durante a manhã, a moradora e voluntária Elza Mendes recordou uma ação realizada em 2017, quando leu um poema de Cida Melo e outro de Mano Zeu, ambos registrados em um livro de pano bordado e escrito artesanalmente. A lembrança destacou a importância da valorização das produções culturais locais e da preservação das histórias construídas pelos próprios moradores do bairro.

Durante a atividade, Ferréz compartilhou histórias de sua trajetória como escritor e falou sobre a importância da leitura e da escrita como ferramentas de transformação social. Nascido e criado no Capão Redondo, na periferia de São Paulo, o autor destacou o papel da literatura na valorização das experiências vividas nas comunidades e na construção de novas perspectivas para a juventude.

Ao longo do encontro, o escritor também apresentou poemas e reflexões que dialogam com a realidade das periferias brasileiras. Sua fala despertou o interesse do público e estimulou discussões sobre pertencimento, cultura e protagonismo social.

Reconhecido nacionalmente por obras como Capão Pecado e Manual Prático do Ódio, Ferréz é considerado uma das principais vozes da literatura contemporânea produzida nas periferias urbanas do país. Sua presença na Biblioteca Cidade Nova proporcionou aos participantes a oportunidade de conhecer de perto a trajetória de um autor que transformou vivências comunitárias em produção literária reconhecida nacionalmente.

Os estudantes do Colégio Cívico-Militar Ipê Roxo participaram ativamente das atividades propostas, compartilhando opiniões, experiências e reflexões sobre o território onde vivem. O momento fortaleceu o diálogo entre escola, comunidade e cultura, evidenciando a importância da participação juvenil nos espaços de produção e circulação do conhecimento.

Para a Biblioteca Comunitária Cidade Nova, a realização do encontro reforça sua missão de promover o acesso à leitura, à cultura e à formação cidadã. A atividade demonstrou como a literatura, quando associada à música, ao diálogo e à vivência comunitária, pode se tornar um instrumento poderoso de aproximação entre pessoas e de valorização das diferentes formas de expressão cultural.

Ao final da programação, estudantes, educadores e moradores puderam interagir diretamente com o escritor, encerrando a manhã em um clima de celebração da cultura e do conhecimento. A iniciativa reafirmou o papel da Biblioteca Comunitária Cidade Nova como espaço de encontro, aprendizagem e fortalecimento dos vínculos comunitários, contribuindo para ampliar o acesso da população à leitura, à arte e às experiências culturais dentro do próprio bairro.

Relacionadas