A escolha de Mãe Angela reforça a representatividade das mulheres negras e das comunidades tradicionais de matriz africana nos espaços de participação e controle social do município. Reconhecida liderança do movimento negro e dos povos de terreiro, ela atua na defesa dos direitos humanos, da liberdade religiosa e da promoção da igualdade racial.
Além da presidência do COMPIR, Mãe Angela também preside a Associação Religiosa de Matriz Africana de Foz do Iguaçu (AREMAFI), entidade voltada à defesa dos direitos das comunidades tradicionais de matriz africana e ao enfrentamento do racismo religioso.
Na vida religiosa, integra o Ile Ase Ojú Ògún Funmilaiyó, atualmente conduzido pela Yalorixá (sacerdotisa) Mãe Roberta, dando continuidade ao legado de Mãe Marina. Há 37 anos exerce a função de Ekedy Ajoiê de Ògún, uma das mais importantes responsabilidades femininas dentro da tradição Ketu do Candomblé.
O significado de ser Ekedy
Na tradição do Candomblé, a Ekedy, também chamada de Ajoiê na nação Ketu, é escolhida para exercer uma função de alta confiança e dedicação ao culto e à comunidade. Não manifesta seus orixás durante os rituais, sendo responsável por cuidar do bem-estar dos iniciados e auxiliar a Yalorixá nas cerimônias. Segundo Mãe Roberta, a Ekedy desempenha um papel essencial na conservação do legado de Povo Negro.
"É a mulher que fica com os olhos atentos a tudo o que acontece durante as cerimônias, cuidando de tudo. É ela quem ajuda a cuidar das roupas dos orixás, da organização do terreiro e a preservar as tradições da Casa e, principalmente, a acolher e a orientar os mais novos."
Liderança Democrática e Comprometida
A indicação de Mãe Angela para a presidência do Conselho representa o reconhecimento de sua trajetória de atuação comunitária e fortalece a presença das comunidades tradicionais de matriz africana nos espaços institucionais de luta contra o racismo.
Racismo e Racismo Religioso: qual a diferença?
O racismo é crime inafiançável e imprescritível no Brasil. Previsto na Lei nº 7.716/1989, consiste em praticar, induzir ou incitar a discriminação ou o preconceito em razão de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional, bem como impedir, restringir ou negar direitos a uma pessoa ou grupo por esses motivos.
O racismo religioso é uma das formas de manifestação do racismo. No Brasil, atinge principalmente as religiões de matriz africana, como o Candomblé e a Umbanda. Nesses casos, a violência não se dirige apenas à liberdade de crença, mas também à cultura, à história e à ancestralidade do povo negro.
A destruição ou o apedrejamento de terreiros, a depredação de símbolos sagrados, as ofensas, ameaças e as tentativas de impedir a realização de cultos são exemplos de condutas que podem configurar racismo religioso.
Pena: reclusão de 2 a 5 anos, além de outras sanções cabíveis, conforme o caso.
Denuncie! Em situações de flagrante, acione a Polícia Militar pelo 190. Também é possível registrar ocorrência na Polícia Civil, denunciar ao Ministério Público ou pelo Disque 100.
Participe do COMPIR
O enfrentamento ao racismo e ao racismo religioso também depende da participação da sociedade. O Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial de Foz do Iguaçu (COMPIR) é um espaço aberto de diálogo, fiscalização e construção de políticas públicas voltadas à igualdade racial e à defesa dos direitos da população negra e dos povos tradicionais.
Dias das reuniões do COMPIR/FOZ: 28/07, 25/08, 25/09, 29/10, 27/10, 29/11, 15/12. Sempre às 9h na Fundação Cultural.
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